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Indo
à escola pela primeira vez
Vou
partir do pressuposto de que você tenha
tido o cuidado de escolher criteriosamente a escola
de seu filho, conhecendo o seu espaço físico,
o pessoal que nela trabalha, a sua proposta pedagógica
e de que já tenha levado sua criança
para conhecer a escola e os adultos com quem ela
terá contato e passará boa parte
de seus dias. Pode ser que, a princípio,
seu filho chore e se recuse a ir para a escola.
Poderá acontecer também de você
ficar com o coração apertadinho,
cheia de culpa por impingir-lhe uma situação
de desconforto e estresse emocional. Isso é
normal e acontece com bastante freqüência,
por isso você não deve se desesperar
nem se julgar diferente da maioria das mães.
Quem é que não fica ansioso, inseguro
ou com medo diante de situações
novas? O desconhecido sempre nos parece ameaçador,
não é mesmo? Vamos tentar entender
o que se passa dentro de nós e de nossos
filhos para trabalharmos melhor essa fase inicial
de escolaridade. Muitas crianças vão
para a escola muito cedo, às vezes com
poucos meses de vida, em função
da necessidade materna de manter um trabalho rentável
fora do lar.
Sabemos
que, no início da vida, há um elo
muito próximo e forte entre o bebê
e sua mãe; é como uma continuidade
da vida intra-uterina.Quando esse período
é bem vivido, a criança tem a sua
saúde emocional fortalecida, através
da satisfação de suas necessidades
físicas e emocionais adequadamente assistidas.
Desta forma, ela guarda dentro de si uma imagem
de uma mãe boa, amorosa, amiga e protetora,
imagem esta que lhe servirá de conforto
nas ausências maternas futuras. As primeiras
referências de uma criança são
as relações familiares e o seu mundo
é a rotina da casa onde ela vive. Ir para
a escola maternal significa um rompimento com
esse mundo conhecido e isso pode ser fonte de
insegurança e medo para a criança
e até para seus pais. A intervenção
amistosa e segura de uma professora bem preparada
costuma atenuar o impacto desta separação,
amenizando as expectativas negativas desta vivência,
na medida em que ela vai conversando com os pais
e com a criança, esclarecendo-lhes as dúvidas,
mostrando-lhes os aspectos positivos e produtivos
da nova experiência, transmitindo carinho
e amizade à criança.
A
intensidade com que cada um vai experimentar ou
a forma como vai atravessar esse período
vai depender dos aspectos particulares de cada
personalidade participante do processo e, também,
da dinâmica familiar. Um fato a ser admitido
é que essa separação é
algo inevitável na vida de cada um de nós
e, ainda que seja um processo doloroso, costuma
trazer crescimento para todos os envolvidos. É
importante que os pais vejam a situação
não como "um mal necessário",
mas como algo bastante positivo e enriquecedor
no desenvolvimento de seu filho. A escola maternal
e a pré-escola têm pouca semelhança
com o aprendizado formal dos anos seguintes, mas
o que a criança pode aprender freqüentando-as
será de grande valor para sua vida futura.
Ali ela terá espaço para brincar
e aprender brincando: a interagir com outras crianças
e com adultos estranhos ao seu universo familiar,
noções de cidadania, de educação
musical e ambiental, a importância do cumprimento
de prazos e horários e que há limites
para a satisfação de suas vontades,
a ouvir o próximo e a tratá-lo com
urbanidade e respeito. É importante frisar
que brincar na escola é totalmente diferente
de brincar em casa, pois lá a professora
intervém de forma intencional no brincar,
de modo a desenvolver as capacidades infantis.
É um brincar organizado, monitorado, com
objetivos delineados e resultados medidos. Lembre-se:
é absolutamente normal que as crianças
pequenas, que estão indo para a escola
pela primeira vez, sofram de "ansiedade de
separação". Elas sentem medo
de que os pais não voltem para buscá-las
e fantasiam o abandono. É importante que
os pais lhes demonstrem interesse pela experiência
que elas estão vivendo, que as encoragem,
reforçando-lhes a auto-estima, diminuindo-lhes
a ansiedade, mostrando-lhe aspectos entusiasmantes
da escola (conhecer novos amiguinhos, poder brincar
com eles, etc) e tranqüilizando-os quanto
ao amor que sentem por elas, quanto à proximidade
que manterão com a escola e com sua professora
e quanto a estarem lá, para buscá-los
no horário de saída. Caso os pais
notem que essa ansiedade se mostra na forma de
pânico ou pavor é recomendável
que procurem aconselhamento e ajuda com profissionais
especializados e competentes.
Retornando
às aulas, após as férias
O
significado da recusa de voltar às aulas
após as férias é diferente
da recusa da criança que vai a ela pela
primeira vez. Algumas vezes essa recusa é
motivada pela insegurança gerada por motivos
como: doença de uma pessoa próxima,
separação dos pais, excesso de atividades
fora do período escolar (balé, natação,
inglês, informática, etc...) e o
receio de não corresponder às expectativas
dos pais, notas baixas e dificuldades de aprendizagem
anteriores, a troca de professores, o temor de
que seus colegas sejam diferentes da turma em
que estava, etc. Esses costumam ser sintomas passageiros.
Caso persistam, os pais devem procurar orientação
com os profissionais da própria escola,
com o médico pediatra e com um psicólogo.
A família e a escola devem deixar claro
para a criança que há uma parceria
entre eles e um pacto visando o seu desenvolvimento
harmonioso, com o qual ela se sinta realizada,
confiante e feliz. Hoje em dia, a formação
dos profissionais que atuam nas escolas é
mais completa e aperfeiçoada. A maioria
delas conta com equipes de coordenadores pedagógicos,
orientadores educacionais e psicólogos.
Há, também, uma preocupação
maior com a criança como uma pessoa individualizada
e em se acompanhar de perto o seu processo individual
de desenvolvimento. No entanto, de nada adiantam
todas essas características se a criança
não gostar da escola. É importante
que ela se vincule emocionalmente aos professores,
aos funcionários e que tenha amigos na
escola. Ela precisa sentir que aquele espaço
também lhe pertence e que se sinta bem
ali, para ter prazer de ir à escola não
só por causa das pessoas que dela fazem
parte, como por tudo o que acontece por lá.
Mais importante do que manter seu filho numa escola
bem conceituada é mantê-lo estudando
num lugar de que ele goste e onde se sinta bem.
Diante de um filho que se recusa a ir para a escola,
recomendo-lhe o bom senso acima de tudo. Ouça
suas queixas com atenção, investingando-as
e peneirando-as, demonstre interesse e solidariedade
pelos seus sentimentos, garantindo-lhe com carinho,
porém com determinação, que
tudo poderá ser resolvido sem que ele deixe
de freqüentar as aulas. Evite ceder ao seu
pedido de ficar em casa. Ele provavelmente vá
tentar desafiá-la, mas a firmeza dos pais
nesta hora será o melhor que eles poderão
oferecer à criança. Lembre-se de
que na fase pré-escolar (de 2 a 6 anos)
a criança começa a pôr em
prática o que aprendeu em seu ambiente
e através do comportamento de seus pais.
Pessimismo, insegurança, medo... também
são aprendidos, portanto vigie sua maneira
de pensar e agir no ambiente doméstico.
Lembre-se, também, de que as crianças
não são sempre boazinhas e muitas
vezes mentem com o propósito de alcançar
seus objetivos, portanto não acredite em
tudo o que seu filho lhe falar. Caso você
tenha dúvida quanto à veracidade
de um fato relatado por seu filho, não
insista imediatamente no assunto. Peça
para ele lhe contar a história, outras
vezes, em momentos posteriores diferentes e compare
as versões. Nem sempre é verdade
que o amiguinho lhe bateu ou que a professora
tenha lhe colocado de castigo ou lhe subestimado
na presença de outros. Caso descubra que
ele mentiu, não lhe acuse de "mentiroso",
pois isto não costuma ser producente. É
aconselhável que você lhe explique,
com calma, as conseqüências negativas
de uma mentira, de preferência com exemplos
práticos. Deixe claro para ele que é
errado mentir e que uma mentira pode prejudicar
seriamente uma pessoa.
Há
escolas que trabalham com métodos tradicionais
de ensino e com disciplina rígida; outras
utilizam métodos mais modernos, são
mais maleáveis quanto aos aspectos disciplinares,
permitem maior liberdade de expressão,
etc. A escolha da escola e o momento de matricular
o seu filho depende dos pais e de suas aspirações.
Cada um sabe o que é melhor e o mais acertado
para seu filho. Qualquer criança pode apresentar
"recaídas" que a levem a desejar
ficar grudada ao ambiente doméstico, sob
a proteção dos pais, mas essas situações
serão menos freqüentes na medida em
que a escola lhe acene como um lugar agradável
e que lhe ofereça boas condições
de adaptação. Daí a importância
de escolher com cuidado e critérios bem
estabelecidos a escola de seu filho. Desejo a
todos um bom começo de ano letivo!
Mara
da Camara
Pedagoga |