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| “Para
fazer funcionar a sua escola e adaptar melhor
as Irmãs às necessidades do meio”
ele sonha com a fundação de um convento
independente. Algumas jovens da aldeia querem
se doar a Deus, entre as quais as suas duas sobrinhas,
Alexandrine Conduché e Virginie Galvada
que se tornam “as duas colunas” da
sua fundação. |

Vilarejo de Bor
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Os
primeiros passos da congregação
É assim que, em 1850, Alexandrine, que agora
passou a se chamar Anastasie, se torna, aos 18 anos,
diretora da nova escola de Bor, para onde os alunos
afluem, e mestra de noviças da comunidade que
está brotando. A mudança de nome é
para significar uma dedicação exclusiva
à nova vida, agora voltada a Deus e aos irmãos,
deixando para trás até o nome familiar.
Como priora (coordenadora) da nova comunidade de Bor,
transforma a sua casa num verdadeiro centro de formação
para a vida religiosa apostólica. E, para se
constituírem como religiosas escolhem as regras
de vida em comum estabelecidas e vividas por São
Domingos de Gusmão: “o silêncio,
o amor à oração e ao trabalho”
têm tal força de testemunho que, de toda
a parte, solicitam irmãs para abrir “casas
de escola”. Acessíveis a todos, as primeiras
escolas — que, por vezes são mistas —
acolhem ricos e pobres sem distinção de
classe social. E até em certas aldeias muito
pobres, a gratuidade era total. As Irmãs adaptam-se
aos alunos, aos que são brilhantes e aos que
fracassam. A todos, elas tentam dar uma boa instrução
e ajudar na consolidação da fé. |
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Madre
Anastasie |
Madre
Anastasie
Alexandrine
Conduché é a fundadora da Congregação
das Irmãs Dominicanas de Nossa Senhora
do Rosário de Monteils. Nascida em Compeyre,
situada nas gargantas do Rio Tarn, França;
de uma família muito pobre e de fé
sólida, recebe uma educação
escolar precoce e relativamente longa para a sua
época: “ela era completa em tudo”
relatam-nos as crônicas. Aos treze anos,
para não mais permanecer ao encargo dos
pais, ela sai de Compeyre e vai para o presbitério
do seu tio Artières, em Tizac. O padre
Artières, consciente das qualidade intelectuais
da sua jovem sobrinha, decidiu abrir uma escola
da qual se torna responsável. A competência
de Alexandrine é logo reconhecida e devemos
notar que, com um raro bom senso, ela sabe adaptar
o seu ensinamento às necessidades dos seus
alunos.
Muito sensível ao sofrimento, madre Anastasie
não hesita em enviar, desde o início
da fundação, Irmãs para visitar
e cuidar dos doentes após as horas de aulas
e, por vezes, uma irmã era encarregada
dos doentes da paróquia, de dia e de noite.
As Irmãs aprendem assim a própria
linguagem do Evangelho na qual o anúncio
da Palavra é sempre acompanhada das palavras
e gestos de bondade.
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Da
França para o mundo
O apelo da Igreja e da Ordem Dominicana pedindo-lhes
para se implantarem no Brasil é acolhido
com alegria e numerosas irmãs apresentam-se
como voluntárias positivamente.
É assim que, após terem efetuado
um estágio em Lisboa para aprenderem o
português, um grupo de irmãs dominicanas
pioneiras chega, em 1885, a Uberaba, no Estado
de Minas Gerais, iniciando seu trabalho no campo
da educação, da saúde e da
catequese. Hoje estão em diversos estados
brasileiros.
Inicialmente na França, a Congregação
também se expandiu, com seus trabalhos,
e está presente no Vietnã, na Coréia
do Sul, no Paraguai, no Peru, na República
Dominicana e no Haiti. |
Ir.
Doraci Pereira Costa, O. P. |
Primeiras
providências
Histórico 1957
Em meados (sic) do ano 1955 o Revmo.
Frei Guido Casali, Provincial dos Revmos. P.P.
Dominicanos da Lombardia, foi à Uberaba
com o fim de solicitar de nossa Revma. Madre Geral,
Madre Maria Inês de Jesus, então
em visita às nossas Casas do Brasil, a
fundação de um Colégio em
Curitiba, Estado do Paraná.
Dois religiosos desta Província já
se achavam nesta cidade, sendo o Revmo. Padre
Claudio Cocolini ºP. vigário, no Bairro
Boa Vista, local onde o futuro Colégio
se instalaria.
O pedido do Revmo. Padre Provincial foi acolhido
com interêsse e, no dia 22 de outubro deste
mesmo ano, nossa Madre Geral e Madre Maria do
Divino Coração que acabava de receber
o cargo de Superiora Regional, se dirigiam à
Curitiba. Tomaram conhecimento com o Revmo. Frei
Claudio que lhes mostrou o local do terreno de
9.600 m2 que a Prefeitura estava pronta para doar
para o Colégio.
Nesta primeira visita a Curitiba não foi
possível estar com D.D. Arcebispo D. Manuel
da Silveira D’Elboux, por estar sua Excia.
Em viagem, o mesmo acontecendo com o Exmo. Snr.
Prefeito Municipal, Major Ney Braga.
O primeiro contato com Curitiba, a “cidade
sorriso” ou dos “muitos pinheiros”,
foi abençoada pois, hoje, o Colégio
é uma realidade e recebeu o nome de “Instituto
Nossa Senhora do Rosário de Curitiba”.
A 9 de abril de 1956 Madre Maria do Divino Coração
aqui voltou e agora com Madre Maria Nelly que
era a designada para fundar esta nova Casa.
Tanto o Snr. Arcebispo como o Snr. Prefeito se
mostraram desejosos de ver realizada essa nova
casa de formação da juventude num
bairro onde não há colégio
e onde a população consta, na maioria,
de operários e militares.
A promessa da doação foi confirmada,
mas o terreno não ainda bem localizado,
era preciso esperar algum tempo, e a Divina Providência
assim permitiu, pois, nossa Madre Kelly, já
doente, foi piorando e, no dia 24 de maio de 1957,
deixava esse mundo numa morte verdadeiramente
edificante. Como disse acima, era ela a designada
para essa fundação que, de início,
se viu marcada pela Cruz, “toda Cruz é
prenuncio de benção.” Madre
Kelly deve zelar por essa nova fundação.
Sómente em 25 de março de 1957 regressamos
novamente em Curitiba, desta vez aqui estiveram
Madre Martia do Divino Coração e
Madre Maria Bernadete da Imaculada, Priora de
nossa Casa de S. Paulo e Conselheira Regional.
O terreno já estava localizado, pudemos
vê-lo “in loco” juntamente com
o engenheiro da Prefeitura que nos mostrou as
divisas. Achamos ótima a situação
da área que com 80 metros de frente por
20 metros de fundo.
Organizamos a personalidade jurídica do
“Instituto Nossa Senhora do Rosário”,
cujos Estatutos foram publicados no Diário
Oficial de Curitiba à 30 de março
de 1957.
Uma parte da planta do futuro Colégio foi
feita pelo engenheiro Cr. Pedro Assis Miranda
e aprovada na Prefeitura. Tomamos contato com
a população do bairro Boa Vista
indo, à convite do Vigário, assistir
a Santa Missa na Igreja paroquial, sendo aí
apresentadas como Irmãs Dominicanas que
somos e futuras professoras das crianças
deste mesmo bairro. Como aqui é difícil
encontrar casas desocupadas, aproveitamos uma
delas estar livre e alugamos com 3 mêses
de antecedência, apesar de ficar desabitada
nesse espaço de tempo.
Estivemos com o Snr. Prefeito Major Ney e o Presidente
da Câmara Dr. Sebastião d’Arcanchy
bem como o vereador Dr. Elias Karan, que nos afirmaram
que o terreno seria nosso, mas que era necessário
que o processo da doação fosse votado
pela Câmara. Todo esse trabalho é
demorado. Paciência! As grandes árvores
precisam ter raízes profundas e seu desenvolvimento
é lento e perseverante. Assim mesmo, rolvemos
nos instalar aqui em julho, afim de estarmos alertas
a Câmara e a Prefeitura no movimento do
processo de doação do terreno, bem
como começar a receber os primeiros alunos
para o 1º e 2º anos primários.
Nos primeiros dias de Julho, de 2 à 11,
teríamos em Araxá o retiro das Superioras
de nossas Casas, bem como a esperada e tão
desejada visita de nossa caríssima Madre
Geral às nossas Comunidades do Brasil.
Prevendo isso, Madre Maria do Divino Coração
veio à Curitiba com a dedicada Irmã
Carmelita Maria que, com a aprovação
de nossa Madre Geral, viria em Curitiba com a
boa e incansável Irmã Maria Mercedes,
dar início à nova fundação.
Aqui chegaram no dia 21 de Junho e Irmã
Carmelita Maria pode conhecer Curitiba e as pessôas
que já estavam em movimento na questão
do terreno e da construção.
Providenciaram a compra das carteirinhas, móveis,
etc. Visitaram algumas comunidades religiosas
sendo que as boas Irmãs de Jesus Crucificado
e as de Sion se mostraram muito boas e prontas
a auxiliar em várias coisas, auxílio
esse bem precioso no início de uma fundação.
O Snr. Arcebispo se mostrou contente e desejoso
que viéssemos lógo dar inicio à
obra.
Nossas Madres e Irmãs têm se mostrado
interessadas pela nova fundação
e, como uma recém nascida, a tem cumulada
de suas ofertas.
O Colégio Nª Sª das Dôres
de Uberaba e o de São Paulo vão
auxiliar generosamente na construção
do novo Colégio e já entregaram
uma parte da importância para esse fim.
Nossa boa Madre Geral Trouxe de França
para a recente fundação um Missal
Dominicano e um grupo do Rosário de Seiraz,
mas, mais valiosas são suas bençãos
e seu interesse. Pessôas amigas têm
se mostrado generosas em suas ofertas, mormente
no que se refere à futura Capelinha.
Dia 18 de julho de 1957, de manhã, no Rio
de Janeiro, a Irmã Maria Mercêdes
tomava o avião militar da F.ªB. e,
em São Paulo se unia à Irmã
Carmelita para seguirem, neste mesmo dia de avião,
para Curitiba. Sempre atenciosa, a tripulação
militar permitiu o transporte dos 16 volumes,
num peso de 150 quilos.
Aqui chegaram ao meio dia e meia indo se hospedar
no Pensionato Nossa Senhora de Lourde, dirigido
pelas Irmãs de Jesus Crucificado. Lá
ficaram dois dias, tempo necessário para
fazer várias compras e arranjar a casinha
de madeira, berço do Instituto Nossa Senhora
do Rosário, situado à Avenida João
Gualberto nº 4016, casa 3, de propriedade
de 2º Sargento AttilioG. Benvenutti e de
sua esposa Senhora Dª Jandira que se tem
mostrado verdadeiros benfeitores da nova fundação,
cumulando de atenções as duas novas
fundadoras. Sua filhinha Rosely, foi a primeira
aluna matriculada no 2º ano Primário.
As Irmãs se instalaram no dia 20 de Julho
e, no dia 25, o Revmo. Frei Claudio veio visitá-las
e benzeu a nova casa. Com ele combinou-se também
que as Irmãs se encarregariam do catecismo
paroquial aos sábados, das 4h às
5h da tarde para as crianças que se preparam
para a 1ª Comunhão e aos domingos,
após a Missa das 9h, para todas as crianças
que já são em número de 60.
No mesmo dia 2 de Julho, antes de virem tomar
posse da humilde casa que seria um caríssimo
convento, as duas fundadoras foram pedir a benção
do Snr. Arcebispo que as abençoou satisfeito
de saber que uma parte do seu rebanho seria assistido
por este novo Colégio. No dia 29 do mesmo
mês de Julho, a visita foi muito honrosa
e inesperada. O Snr. Arcebispo, D. Manuel e seu
Bispo Auxiliar D. Mazzarotto vieram pessoalmente
visitar nossas Irmãs e abençoar
a nova obra. Ficaram satisfeitos em vêr
a simplicidade e pobreza que alicerçam
o novo Instituto Nossa Senhora do Rosário,
dizendo que as famílias do bairro se sentirão
encorajadas em vêr como as Religiosas se
identificam com elas, no modo humilde de viver.
Dia 1º de Agosto as Irmãs começaram
a dar aulas, comparecendo 15 alunos no 1º
ano Primário e 4 no 2º ano, a sementinha
começava a germinar.
No dia 4 de Agosto, festa de nosso Pai Fundador
São Domingos, os alunos, já uniformizados,
assistiram, comovidos, a Santa Missa, na Igreja
paroquial. Após a Santa Missa, como era
domingo, foi dada a aula de catecismo. Delicadamente,
neste mesmo dia de São Domingos duas Irmãs
de Sion vieram nos visitar trazendo-nos um belo
e gostoso bolo de boas-festas.
Dia 15 festa da Assunção de Nossa
Senhora tivemos a primeira visita de nossa caríssima
Madre Maria do Divino Coração. Fomos
esperá-la no aeroporto “Afonso Pena”
que dista a 27 quilômetros daqui, levando
5 alunos uniformizados, representando o Colégio
recém fundado. Nossa Madre veio num avião
da F.A.B. e nos trouxe, entre outras cousas úteis,
uma linda estátua de Nossa Senhora das
Graças, diante da qual fazemos nossas orações,
pois não temos ainda a felicidade de ter
conosco Nosso Senhor Sacramentado. |
| Esta
é cópia tal qual se encontra no manuscrito
das Irmãs em livro que é guardado
como um dos documentos da história do Colégio
Nossa Senhora do Rosário, de Curitiba. Foram
conservados todos os detalhes, inclusive grafia
da língua com as normas da época.
Alguns títulos são acréscimos,
com a finalidade de situar e dar maior clareza. |
| Conclusão |
| A
audácia de São Domingos de
Gusmão, que encantou Anastasie, incorporou
o que de melhor havia nas aspirações
políticas, sociais e religiosas de
seu tempo e explica, pelo menos em parte,
a rápida expansão da Ordem
e dimensão popular atingida, sobretudo
nos meios urbanos.
Como responder hoje, institucionalmente,
às novas exigências da pregação,
com flexibilidade e eficácia necessárias
? No limiar do terceiro milênio, como
assumir livre e espontaneamente as intuições
de um mundo que, apesar do quadro apocalíptico,
contempla um horizonte a ser perseguido
e conquistado ao modo de Domingos e Anastasie?
* Buscando a VERDADE e
a COMUNHÃO com Deus.
* Respeitando a dignidade
do homem.
* Promovendo um debate
democrático e um processo de comunicação
argumentativo e racional, numa atitude de
respeito à liberdade.
* Estabelecendo uma relação
dialética entre o local e o universal.
* Preocupando-se com a injustiça
e a iniqüidade a que populações
inteiras estão submetidas e engajando-se
num processo solidário-evangélico-libertador.
A proclamação, ao jeito de
Domingos e Anastasie, da grande Verdade:
Deus-totalmente-outro, se encarnou em Jesus
Cristo, fonte de toda justiça e de
toda paz. Deve, desvelando o mundo da esperança
e da solidariedade, fazer ruir universos
de injustiças, opressões e
falsas seguranças. |

S.
Domingos de Gusmão
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O
Colégio Nossa Senhora do Rosário, fiel
a intuição de São Domingos de Gusmão
e Anastasie vem assumindo:
- Um engajamento pela transformação do
mundo.
- Um trabalho visando à manifestação
de uma consciência comprometida com a justiça
e a paz.
Veja também:
Irmãs Dominicanas: uma
jornada missionária em direção
à alegria. |
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